Superação

“Sobrevivi ao CrossFit”

por Marla Cabrera

“Quem me conhece sabe que não sou muito fã de academias e afins. Já tentei de tudo nesta minha vida “fitness”: pilates, yoga, step, musculação, ballet. Sempre fui avessa às atividades físicas. Na escola, lembro-me de levar atestado médico para as faltas nas aulas de educação física. E minha aptidão e desenvoltura não colaboram: sou, praticamente, uma pata de polainas. Enfim, munida de um espírito quase olímpico, resolvi sair, mais uma vez, em busca de algo que me agrade. E resolvi radicalizar: fui fazer Crossfit. Pra você, que assim como eu, não pertence a esse mundo de top pink e tênis mega colorido, e também nunca esteve numa aula de Crossfit, aqui vai um breve resumo – sim, serei breve porque devo desmaiar em poucos minutos, levando em consideração essas manchas coloridas que vejo desde que terminou a tal aula: o local onde a aula acontece se chama box. Não, não é academia. Nem estúdio. Atualize-se, por favor. Parece um galpão, onde uma mocinha linda te recebe com um sorriso – mas não se engane! Esse sorriso será trocado por gritos de incentivo quando você estver prostrado no chão. Então, você descobre que terá que pagar não sei quantos “burpees” por ter chegado seis minutos depois do início previsto da aula. Como eu não fazia ideia do que era um “burpee”, torci para que fosse a nova moeda grega. Aí, vem o “coach”. Um simpático “The Rock”, para quem você tem que admitir que está parada há cinco anos e que é total e humilhantemente descordenada. Ele não se compadece com as informações e segue com a aula. Observei a existência de uns baldes no box. Achei que deveria vomitar ali, quando o esforço físico me consumisse. Mas não era. Dentro, havia um pó branco, Tenho pra mim que é alguma droga ilícita. Sim, afinal, eu só conseguiria fazer tudo o que deveria, se estivesse muito, muito turbinada! Aquecimento e lá se vai a chapinha. Pendura na barra, levanta peso, pula na caixa. Nunca uma preposição fez tanta diferença: se fosse pular DA caixa, tudo bem! Mas não! Era pular NA caixa. Desejei uma caixa de sapatos… Em meio a gritos de estímulo, começo a recordar de partes do meio corpo que nem mais sabia o nome. Descubro, por fim, o que é um “burpee”. E na segunda série dele, já estou me sentindo o Papa João Paulo, beijando o chão. Por mim, ficava ali, deitadinha… Mas tenho sete minutos para completar o WOD (Work of the Day). É o grand finale. Do outro lado da rua, ao longe, avisto uma praça com aparelhos de ginástica funcional, onde velhinhos se movimentam, Sinto uma vontade imensa de me juntar a eles. Três minutos e meio se passaram… Os mais longos de minha vida. Sinto que minhas pernas e braços começam a me abandonar, aos poucos… Não sei se voltam. Não sei se volto. Ainda vejo manchas coloridas… Mais coloridas que os tênis…”

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